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quinta-feira, abril 23, 2009

8 ou 80?



De um lado canta-se "venham mais cinco" e os artigos ou palavras censuradas estão assinaladas ao longo de toda a revista.

«Quando estiver a ler os textos que se seguem lembre-se de uma coisa: neste número, as palavras, as ideias e as realidades que retratam, e que foram objecto desta "censura" simulada, aparecem cortadas ou sublinhadas, e acompanhadas dos carimbos que a Censura usava nas provas dos textos produzidos pelos jornalistas. Há 35 anos, na prática diária do regime, aqueles trechos cortados eram realidades, pura e simplesmente, apagadas, realidades que deixavam de existir por força do lápis azul do censor», escreve-se no texto que acompanha o vídeo desta edição.




Do outro surge a revista Sábado com as relações escondidas de Salazar com as famílias mais ricas.


Aqui está uma boa oportunidade para reflectir o que foi a realidade do país num passado recente ao mesmo tempo que se deve ter em conta a mais valia da liberdade de expressão e de informação. Num país onde ainda se culpa a liberdade dos males actuais, seria bom fazer a destrinça de que liberdade não é o mesmo que libertinagem, corrupção, ou falta de valores, uma confusão diversas vezes instalada na cabeça de muitos portugueses.

sexta-feira, abril 10, 2009

Para reflectir: DEZ ANOS POR UM JORNALISMO SUSTENTÁVEL

Por Sandra Monteiro

Publicado em Le Monde Diplomatique

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Não se pense, contudo, que está criado um «império» mundial de imprensa: a maior parte das edições vive desde sempre com muitas dificuldades, travando uma «guerra assimétrica» contra os gigantes da comunicação (a própria edição portuguesa foi interrompida durante um curto período). De certa forma, essa fragilidade decorre de uma escolha que passa por fazer um jornal diferente, com análises mais longas e aprofundadas; com um investimento forte e dispendioso na reportagem internacional; com a manutenção de estruturas editoriais responsáveis, dedicadas e independentes, que concentram o poder de decisão nos jornalistas e demais trabalhadores; com a recusa de transformar os leitores em clientes; e com a manutenção escrupulosa da regra que diz que as receitas publicitárias não podem ultrapassar 5 por cento do volume de negócios de cada edição

A diminuição do poder de compra causada pela crise reduz a disponibilidade para a compra de jornais, mas não diminui os custos reais de produzir informação. O comentário e a reprodução, em particular na Internet, de informação já existente, pode ser feito praticamente a custo zero, mas dedicar tempo e meios a investigações e reportagens aprofundadas exige necessariamente recursos financeiros, equipas estruturadas e uma concepção dos projectos no longo prazo. Exige um jornalismo sustentável.

O desafio que hoje se coloca consiste em aprofundar cada vez mais o conhecimento do mundo em que vivemos para potenciar a consciência das mudanças que é necessário concretizar. Porque a ausência de responsabilização e de consequências palpáveis, que as pessoas possam sentir nas suas vidas, é dos maiores desmotivadores sociais que possamos imaginar, sobretudo quando já existe uma compreensão do que seria necessário mudar. É algo que afecta a confiança e corrói a coesão social de forma duradoura. Basta pensar na reacção que em cada um de nós suscitam a pantanosa inoperância dos sistemas judiciais ou a manutenção dos paraísos fiscais, que permanecem incólumes, mesmo numa crise como esta.

Podemos apoiar os espaços de informação e debate de ideias que nos proporcionam conhecimento e tempo para desacelerar desse stress informativo que tão pouco tempo deixa ao desenvolvimento da nossa inteligência emocional, à nossa criatividade como cidadãos do planeta, à multiplicidade de linguagens (da informação, da arte…) com que nos construímos. Como afirma o escritor moçambicano Mia Couto, «ao lado de uma língua que nos faça ser mundo, deve coexistir outra que nos faça sair do mundo» [7]. Por aqui, tanto nestas páginas como nos múltiplos espaços de encontro e de debate que a edição portuguesa do Le Monde diplomatique procura criar, vamos continuar a ser mundo, a criar raízes, para que as asas possam voar.
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domingo, março 22, 2009

Agitar antes de abrir, sair, fazer... (II)

Já tinha sido aqui feita uma referência às palavras de Miguel Carvalho no Congresso realizado em Santiago de Compostela, em Janeiro.
Em Março surge uma nota sobre as palavras do jornalista no El Argentino.com a destacar a comunicação como uma das mais significativas apresentadas em todo o congresso: não só pelo conteúdo, mas também pelo facto de terem sido ditas nas barbas de quem manda e decide em muitos órgãos de comunicação social. Como sempre com frontalidade e sem artifícios, uma verdadeira dentada em orelha de cão.

Para ler o artigo intitulado: Un “humilde periodista” portugués y la autocrítica del periodismo europeo

The end of print? We think not! (Joana Maciel e Pedro Monteiro)






Joana Maciel e Pedro Monteiro iniciaram um movimento que é um apelo inteligente e bem conseguido contra os prenúncios do fim do jornalismo impresso.
Aqui fica a informação do pontapé de saída desta iniciativa que retirei do Whatype.

«Here at whatype we don’t believe this are the times of the end of print. Sure that the crisis isn’t helping newspapers but the real deal is that the newspapers industry is an old one. What’s keeping readers away from newspapers is the way that the industry isn’t able too change within itself.

With every newspaper that is closed, with every journalist that is fired, a bit of freedom of speech, a bit of democracy is being lost. There’s no way to substitute the role of good journalism (the citizen journalism is a good thing but it’s still no substitute).

To try and change this, whatype is starting a movement. We’ve made 4 different posters A4 sized so that everyone can print them and post them everywhere. In each poster we’ve included a message to everyone in the newspaper industry.

Our challenge for you is to print as much as you want/can and post them where you think they can make a difference – newsrooms (outside and inside), near distribution points, etc.

By supporting your newspaper you will fight for your own voice. By telling what you want and expect from a newspaper, one that’s worth both your money and your time, you will be fighting for a better world.

You can download the posters (...)

By: Pedro Monteiro»


Agora toca a espalhar a mensagem....

terça-feira, março 17, 2009

A produção da informação

Bem a propósito da matéria leccionada no âmbito da unidade curricular de Sociologia da Comunicação, para ler as três referências de Rogério Santos no Indústrias Culturais.


Fica aqui um cheirinho do Newsmaking I - um reparo sobre o mesmo assunto tratado na edição online do Público e posteriormente publicado na edição impressa -.

«Na internet, o texto tinha quatro blocos. Na notícia em papel, surgem apenas os dois blocos iniciais, com alguns ajustamentos. O que se omitiu na edição em papel foi fundamentalmente as vozes de especialistas ou outros que discordavam do modelo de museu da rádio.
O que aqui e agora quero salientar é a constatação da limitação ou constrangimento da edição em papel: o espaço disponível. O essencial (positivo) da informação está no papel; logo, o jornal prestou um bom serviço. Mas a ideia de contraste de opiniões, de exploração de contradições desaparece, apesar do texto em papel criticar a inexistência do museu da rádio como a lei da rádio o indica; logo, o jornal não informou bem.
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Ver também Newsmaking II e III.

terça-feira, outubro 28, 2008

Para pensar...

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Um mundo só deles

«O problema das televisões e dos meios de comunicação em geral é que são tão grandes, influentes e importantes que começaram a criar um mundo só deles. Um mundo que tem muito pouco a ver com a realidade. De resto, esses meios de comunicação não estão interessados em reflectir a realidade do mundo, mas sim em competir entre si. Uma estação televisiva, ou um jornal, não pode permitir-se não ter a notícia que o seu concorrente directo tem. De modo que acabam por observar os seus concorrentes em vez de observar a vida real. Actualmente, os meios de comunicação andam em bandos, quais ovelhas em rebanhos.»

Ryszard Kapuscinski, Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício: Conversas Sobre o Bom Jornalismo
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Citação retirada do blogue Travessias Digitais de Helder Bastos.